Ray Charles: o gênio que ajudou a transformar a música americana faria 96 anos hoje


Ray Charles faria 96 anos nesta quarta-feira, 23 de setembro. Nascido em 1930, em Albany, no estado da Geórgia, o cantor, pianista e compositor construiu uma carreira que atravessou estilos e ajudou a mudar a maneira como diferentes gêneros da música americana se encontravam.
Nos anos 1950, Charles começou a desenvolver uma sonoridade que aproximava dois universos que, até então, pareciam separados: a intensidade do gospel e os ritmos do blues e do R&B. Dessa mistura surgiram gravações como “I’ve Got a Woman”, de 1954, considerada um dos marcos de sua trajetória e do desenvolvimento do soul.
Mas Ray Charles nunca se limitou a um único gênero. Ao longo da carreira, incorporou jazz, rock, pop e country à sua música, sempre imprimindo uma identidade própria às canções. Vieram clássicos como “What’d I Say”, “Georgia on My Mind”, “Hit the Road Jack” e “Unchain My Heart”.
Um dos movimentos mais importantes de sua carreira aconteceu em 1962, com o lançamento de “Modern Sounds in Country and Western Music”. Em plena década de 1960, um artista negro ligado principalmente ao R&B e ao soul mergulhou no repertório country e levou “I Can’t Stop Loving You” ao primeiro lugar da parada pop americana. O sucesso do álbum mostrou, na prática, que as fronteiras entre os gêneros podiam ser muito menores do que a indústria costumava estabelecer.
A importância de Ray Charles também chegou ao rock. Em 1986, ele esteve entre os primeiros artistas incluídos no Rock and Roll Hall of Fame, reconhecimento a uma influência que atravessou gerações e estilos.
Conhecido como “The Genius”, Ray Charles conquistou 17 Grammys ao longo da carreira e recebeu algumas das principais honrarias da música e da cultura dos Estados Unidos. Cego desde a infância, aprendeu música ainda muito jovem e estudou composição, além de piano, saxofone, clarinete, trompete e órgão.
Ray Charles morreu em 10 de junho de 2004, aos 73 anos, mas deixou uma obra que continua atravessando blues, gospel, soul, jazz, country, pop e rock. Mais do que se encaixar em um gênero, ele passou boa parte da carreira mostrando que a música não precisava respeitar essas fronteiras.





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