Morre Dolly Parton, ícone da música country, aos 80 anos
- Kika Mesquita

- há 11 minutos
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Dolly Parton, uma das artistas mais importantes e reconhecidas da música norte-americana, morreu nesta terça-feira (25), aos 80 anos. A informação foi anunciada pela família e confirmada por seu sobrinho Bryan Seaver, que publicou um vídeo nas redes sociais da cantora. A causa da morte não foi divulgada.
No comunicado, Seaver contou que a própria Dolly havia pedido, anos atrás, que ele fosse responsável por anunciar sua morte ao público quando esse momento chegasse. Sobrinho da artista e responsável por sua segurança durante mais de duas décadas, ele falou sobre a mistura de orgulho e tristeza vivida pela família e destacou o impacto que a cantora teve não apenas sobre seus parentes, mas sobre gerações de músicos, compositores e admiradores ao redor do mundo.
A morte encerra uma trajetória que começou muito antes de Dolly se transformar em um dos maiores nomes da música country. Nascida em 19 de janeiro de 1946, no Tennessee, nos Estados Unidos, ela cresceu em uma família numerosa e com poucos recursos. Ainda criança começou a cantar e, pouco depois de concluir os estudos, mudou-se para Nashville para tentar construir uma carreira na música.
O reconhecimento ganhou força no fim dos anos 1960, inicialmente com sua participação no programa de Porter Wagoner. A parceria ajudou a apresentá-la a um público maior, mas Dolly logo construiu uma identidade própria como cantora e, principalmente, como compositora. Em 1974, deixou o programa para seguir definitivamente sua carreira solo — despedida que inspirou uma de suas composições mais famosas, “I Will Always Love You”.
Ao longo das décadas seguintes, músicas como “Jolene”, “Coat of Many Colors” e “9 to 5” ampliaram sua popularidade para muito além do country. “I Will Always Love You” ganharia uma nova dimensão em 1992, quando Whitney Houston gravou a canção para o filme “O Guarda-Costas”, transformando a composição de Dolly em um sucesso mundial.
Sua presença também chegou ao cinema. Dolly atuou em produções como “9 to 5”, “The Best Little Whorehouse in Texas” e “Steel Magnolias”, enquanto sua imagem e seu senso de humor fizeram dela uma personalidade conhecida mesmo entre quem não acompanhava a música country.
A carreira acumulou mais de 100 milhões de discos vendidos, 11 Grammys e dezenas de sucessos nas paradas. Em 1999, Dolly entrou para o Country Music Hall of Fame e, em 2022, foi incluída no Rock and Roll Hall of Fame. Inicialmente, ela chegou a dizer que não se considerava merecedora da homenagem por sua ligação com o country. A experiência acabaria inspirando “Rockstar”, álbum lançado em 2023 no qual mergulhou no rock ao lado de diversos convidados.
Fora dos palcos, Dolly construiu outra parte importante de seu legado. A cantora criou a Imagination Library, projeto dedicado à distribuição gratuita de livros para crianças, e apoiou diferentes iniciativas nas áreas de educação e saúde. Durante a pandemia, doou US$ 1 milhão para pesquisas que contribuíram para o desenvolvimento da vacina da Moderna contra a Covid-19.
Os últimos anos também foram marcados por mudanças em sua vida pessoal. Carl Dean, com quem Dolly foi casada por quase seis décadas, morreu em março de 2025. Posteriormente, a artista contou que havia deixado alguns cuidados pessoais em segundo plano enquanto se dedicava ao marido e revelou que enfrentava problemas de saúde. Alguns compromissos chegaram a ser adiados ou cancelados, incluindo uma residência prevista para Las Vegas.
Mesmo diante dessas dificuldades, Dolly continuava falando sobre trabalho e novos projetos. Poucos dias antes de sua morte, afirmou que ainda tinha muitas coisas que gostaria de realizar. Seu último período de vida, portanto, manteve uma característica presente em praticamente toda a sua trajetória: a disposição de continuar criando.
Dolly Parton deixa uma obra que ultrapassou as fronteiras do country. Cantora, compositora, atriz, empresária e filantropa, ela transformou uma história iniciada em uma família pobre do Tennessee em uma das carreiras mais reconhecidas da cultura americana. Suas músicas foram reinterpretadas por diferentes gerações e estilos, garantindo à artista um legado que permanece muito além dos palcos.





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