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Fã acredita viver romance com Jon Bon Jovi e perde mais de 10 mil dólares em golpe com inteligência artificial

Foto do escritor: Kika Mesquita
Kika Mesquita
há 20 horas
3 min de leitura


Foto: Reprodução/ Getty Images
Foto: Reprodução/ Getty Images

Uma fã de Jon Bon Jovi, que acompanha a carreira do cantor desde a adolescência, viveu durante meses a ilusão de manter um relacionamento amoroso com seu ídolo. O que parecia ser uma aproximação inesperada acabou se revelando um golpe elaborado, que envolveu vídeos produzidos com inteligência artificial, falsas promessas de encontros e um prejuízo superior a US$ 10 mil.


Leslie Pickett, de 55 anos, moradora da Louisiana, nos Estados Unidos, contou que tudo começou no final de 2024, quando comentou uma publicação no perfil oficial de Jon Bon Jovi no Instagram. Poucos minutos depois, recebeu uma mensagem de outra conta, que se apresentava como sendo do músico, embora não tivesse o selo de verificação.


As conversas se tornaram frequentes e, aos poucos, o golpista conquistou sua confiança. Durante meses, os dois trocaram mensagens sobre assuntos cotidianos, enquanto o criminoso alimentava a ideia de um relacionamento amoroso.


Para tornar a farsa mais convincente, o impostor enviava vídeos manipulados por inteligência artificial nos quais Jon Bon Jovi aparentemente falava diretamente com Leslie, chegando a chamá-la pelo nome. Em uma ocasião, ela chegou a pedir que ele realizasse determinados movimentos diante da câmera e recebeu uma gravação correspondente poucos minutos depois.


A tecnologia foi decisiva para sustentar a mentira, mesmo diante das dúvidas que surgiram ao longo do relacionamento virtual.


Depois de meses de conversas, começaram os pedidos de dinheiro. O golpista afirmou que poderia organizar um encontro exclusivo com o cantor, mas que Leslie precisaria realizar pagamentos à suposta equipe responsável pelo gerenciamento de sua carreira.


Os valores, inicialmente pequenos, foram aumentando. Ela realizou transferências por diferentes plataformas de pagamento, incluindo PayPal, Venmo, Cash App e criptomoedas. Sempre que um pagamento era efetuado, surgia uma nova justificativa para solicitar mais dinheiro.


Em julho de 2025, o criminoso chegou a afirmar que havia viajado para a Louisiana e enviado fotografias de um hotel onde supostamente estava hospedado. O encontro, porém, nunca aconteceu. Novas exigências financeiras fizeram Leslie perceber que provavelmente estava sendo enganada.


Desconfiada, ela procurou a jornalista investigativa Mariana van Zeller, conhecida por seus trabalhos sobre redes criminosas. Com a ajuda de Arman Sadri, ex-hacker que passou a atuar na área de segurança digital, a equipe conseguiu rastrear um endereço de IP utilizado pelo golpista até Lagos, na Nigéria.


Quando a fraude foi descoberta, Leslie já havia perdido mais de US$ 10 mil e acumulado dívidas que colocaram sua casa em risco.


A experiência também deixou profundas consequências emocionais. Em entrevista à Fox News, publicada em 24 de outubro, ela contou que se sentiu devastada ao descobrir que a pessoa com quem havia compartilhado tantos momentos não era quem dizia ser.


O caso ganhou destaque no documentário "Super Scam Me", da National Geographic, lançado em outubro de 2026. A produção acompanha a investigação de Mariana van Zeller sobre golpes virtuais e mostra como criminosos utilizam recursos tecnológicos e vínculos emocionais para manipular suas vítimas.


Apesar de toda a experiência, Leslie não perdeu a admiração pelo verdadeiro Jon Bon Jovi. Em julho de 2026, Mariana van Zeller a levou a um show da banda em Nova York, proporcionando à fã a oportunidade de assistir pela primeira vez a uma apresentação de seu ídolo. Em entrevista sobre a experiência, Leslie brincou que, tirando o nascimento de seus filhos, aquele provavelmente havia sido o melhor dia de sua vida.


Ela também deixou claro que não responsabiliza o cantor pelo ocorrido e que ainda gostaria de conhecê-lo pessoalmente.


Hoje, Leslie compartilha sua história na esperança de evitar que outras pessoas sejam vítimas de golpes semelhantes. Seu relato evidencia como a inteligência artificial vem sendo utilizada para tornar fraudes cada vez mais convincentes, explorando não apenas a confiança das vítimas, mas também seus vínculos afetivos e a admiração por figuras públicas.


Leslie Pickett. Foto: Reprodução/ Getty Images
Leslie Pickett. Foto: Reprodução/ Getty Images

 
 
 

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​Por: Kika Mesquita

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